2014/11/18

TEMPO DE DECISÃO

Texto: Rute 1

Introdução

Vivemos um tempo de decisão. Domingo passado decidimos o presidente do nosso país.  Muitos membros estão decidindo que tipo de compromisso querem ter com essa comunidade, se é algo apenas informal, ou se vão abraçar os desafios da nossa visão e missão, o que implica também um compromisso financeiro sério.

 Segunda feira muitos de nós haveremos de tomar decisões, seja elas no âmbito profissional, familiar e até mesmo espiritual. Talvez você esteja hoje aqui com uma decisão para ser tomada. 

     Decisão é coisa séria. É tão importante que em alguns casos pode se transformar num voto (ou promessa). O sábio Salomão já nos ensina em Ec 5:4-5: 4 Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. 5 É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir. Vivemos, ainda, tempos de desapego precisamos decidir.

A campanha da OLX diz que com um simples toque no aplicativo do seu celular, você se desapega de alguma coisa - "Desapegar é só começar". http://www.olx.com.br/desapega/zumbi . No entanto, cuidado com o desapego.

Alguém já disse que "as coisas foram feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas", não o contrário.  Precisamos decidir, mas com cuidado. Não transforme sua decisão em voto precipitado, como fez Jefté.

A Bíblia conta a história do juiz Jefté que, diante de uma batalha, fez um desses votos com Deus: "Se entregares os amonitas nas minhas mãos, aquele que estiver saindo da porta da minha casa ao meu encontro, quando eu retornar da vitória sobre os amonitas, será do Senhor, e eu oferecerei em holocausto" (Jz 11:30-31).

Jefté foi à batalha e foi vitorioso contra os amonitas. Ao voltar para casa, você sabe quem saiu ao seu encontro? Sua filha que, para comemorar a vitória do pai, saiu dançando ao som de tamborins. Decisões precipitadas podem trazer sofrimentos enormes.

Decidir não é simples. Qualquer decisão tem suas consequências. Nem sempre as nossas decisões, por melhores que sejam, são acertadas. Por isso precisamos ter como base um amor sincero pautado pela fé (como dom de Deus).

Isso faz sentido para você? Você já tomou alguma decisão na vida a qual trouxe profunda decepção e dor de cabeça? Temos pela frente uma história recheada de decisões. Vamos aprender que somos responsáveis pelas nossas decisões, mas podemos ser usados por Deus para abençoar outras histórias cujas decisões, a princípio, não foram tão acertadas.

Essa história começa com a decisão de um homem crente, marido de uma mulher crente, com dois filhos crentes. Esse homem, por conta da grande fome que aconteceu em sua cidade, decide levar a sua esposa e seus dois filhos para viver num outro país que, apesar de ser um lugar próspero para a época, era muito perigoso. O povo daquele lugar era inimigo, tinha uma religião oposta, cujos deuses recebiam como adoração sacrifícios humanos.

Seria essa uma decisão correta para um discípulo de Cristo? Ele não deveria ter confiando em Deus e ficado onde morava? No entanto, esse homem, depois de algum tempo, morreu.  Mas essa história continua com a decisão dos dois filhos desse homem.

Crentes, decidem se casar com duas mulheres daquela terra. Seria a decisão correta para um discípulo de Cristo que decide viver o restante da sua vida com alguém que não compartilha a sua fé? Seja o que for, passados quase dez anos, os dois maridos morrem.  

E a história continua com uma viúva que está ao lado de duas noras, também viúvas. Todas sem seguro de vida, pensão do INSS ou Bolsa Família. Enquanto tudo isso acontecia, a sogra recebera um e-mail dizendo que Deus visitara o seu povo na sua cidade natal. Então ela decidiu deixar aquela terra estrangeira e voltar para a sua terra e o seu povo (cf. 1:6).

Observe o diálogo das três em meio ao caminho: 11 Disse, porém, Noemi: "Voltem, minhas filhas! Por que viriam comigo? Poderia eu ainda ter filhos, que viessem a ser seus maridos? 12 Voltem, minhas filhas! Vão! Estou velha demais para ter outro marido. E mesmo que eu pensasse que ainda há esperança para mim — ainda que eu me casasse esta noite e depois desse à luz filhos, 13 iriam vocês esperar até que eles crescessem? Ficariam sem se casar à espera deles? De jeito nenhum, minhas filhas! Para mim é mais amargo do que para vocês, pois a mão do Senhor voltou-se contra mim!" 14 Elas então começaram a choram bem alto de novo. Depois Orfa deu um beijo de despedida em sua sogra, mas Rute ficou com ela. 15 Então Noemi a aconselhou: "Veja, sua concunhada está voltando para o seu povo e para o seu deus. Volte com ela! " 16 Rute, porém, respondeu: "Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! 17 Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! " 18 Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais. Rute 1:11-18   

A decisão de Rute por Noemi. É admirável como ela participa de cada momento na vida da sogra. Ela percebeu que Noemi queria escrever o último capítulo da sua história ao insistir em deixar Orfa e Rute em Moabe e seguir para Judá. Percebeu também a mente confusa de Noemi quando entendia que estava sendo castigada por Deus; percebeu ainda a sua profunda angústia quando mudou o seu nome, de Noemi, "feliz", "alegre", para Mara, "amargurada" (1:20).  Tudo se perdeu: A esperança que Moabe seria o início de uma nova vida acabou quando morreu Elimeleque e os seus filhos – Malon e Quilion. Orfa voltara para a casa dos pais. Só faltava Rute. Mas Noemi é surpreendida quando Rute lhe diz: 

"Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei!"

Rute tem uma decisão relacional. 

Rute reverencia Noemi. Ela ensina-nos que o maior amor se expressa na reverência, na relação, pois ela consegue contemplar a sua sogra no seu padecimento, na sua dor e na sua falta de esperança. 

Havia algo maior em Noemi do que a desgraça aparente. Havia algo acima dos cabelos brancos e das rugas adquiridas pelo sofrimento. Havia virtudes naquela mulher experimentada pela dor. Havia qualidades interiores sob as quais Rute se curvava e se entregava de coração. 

A decisão de Rute vai além do que muitos pensam nessa geração hedonista que vive cultuando o corpo e o prazer em detrimento do feio e do velho.  Noemi não estava sabendo lidar com o sofrimento, como muitos não sabem hoje. Quem quer ficar ao lado de uma pessoa assim, depressiva, enferma, esgotada, amargurada? Quem quer? Rute quer. E ela demonstra nas suas palavras que o seu amor é profundamente relacional. Ela ama Noemi acima das circunstâncias (qualidade que levou Boaz a admira-la – 2:11).

Li recentemente um testemunho sobre Eleni Vassão, capelã do maior hospital de doenças infectocontagiosas da América do Sul, o Hosp. Emilio Ribas. Quem escreveu diz que foi profundamente impactado ao ver essa mulher acariciando a mão de um travesti no seu estado terminal de AIDS, repetindo com ternura: Jesus te ama!

Rute tem uma decisão confessional

Mas Rute toma uma outra decisão: O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Rute tem uma decisão confessional Creio que Rute não conheceu o sogro, mas ela vivia a um bom tempo com a sogra Noemi que, certamente, compartilhou ao coração de Rute e Orfa sobre os grandes feitos de Deus no meio do povo de Israel.

Isso fez uma grande diferença na vida de Rute que assumiu Deus e o povo de Deus para si. Lembra-se de Orfa? Ela voltou para o seu povo e para seus deuses. Talvez Orfa pensasse assim: "O Deus que Noemi tanto confia permitiu a fome na terra dela, permitiu a morte do marido e dos filhos... tô fora!" O deus dos moabitas, Quemos (ou Camos), é chamado de "abominação, repugnante deus de Moabe" em 1 Reis 11.7.

Desse modo, Orfa é o símbolo daqueles que, infelizmente, chegam apenas até a divisa e param no meio do caminho por não terem a coragem de seguir até o fim. São aqueles que querem as bênçãos de Deus, mas não se rendem ao Deus das bênçãos. Orfa beijou sua sogra e retornou. Como é terrível quando aqueles que estão tão perto de Deus retornam para o mundo! 

O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Decisão Confessional.  São poucos os que têm a coragem de atravessar a fronteira confessional e seguir adiante. Lá estão eles aos montes nas igrejas. Gostam do que veem. Apreciam o que cantam. São consumidores do evangelho, mas não confessam que Jesus é o Senhor das suas vidas. Quem não assume, retrocede sempre.

Rute foi usada como aquele discípulo de Cristo que vê o mal destruindo uma vida, mas fica ali ao lado dizendo: "Não desista! Deus ama você. Ele olha para você. Deus vai abençoar sua vida! E eu estou aqui porque creio em Deus e creio que tenho uma missão como povo de Deus no mundo, e na sua história".

Você tem esse amor confessional? Você ama realmente a Deus? Ama o povo de Deus? Ama a igreja de Cristo? Então leve a sério essa confissão: "Deus será o meu Deus, o povo de Deus será o meu povo". 

Rute tem uma decisão sacrificial 

Rute vai além: Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Rute tem uma decisão sacrificial  Ela é abnegada. É desprendida. Ela se entrega, sem nada em troca. O que Noemi tem a oferecer? Absolutamente nada!

Nossas decisões, por vezes, são egoístas, auto centradas ao invés do outro centrada. O discurso de muitos é: "O importante é ser feliz". Tratamos os outros como se fossem coisas e, com um simples toque no aplicativo (OLX) deletamos vidas da nossa história, como se isso fosse realmente possível. Eu ainda vou ser surpreendido num casamento ao perguntar ao noivo(a) se ele(a) promete ser fiel, e ele responder: e "o que eu ganho com isso"?

Não existe amor sem sacrifício. Não existe evangelho sem sacrifício. Não existe vida cristã sem sacrifício. A base de todo o evangelho é: alguém amou, se deu e morreu.

Rute tem uma decisão leal

E então Rute sela o seu compromisso: Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! Rute tem uma decisão leal Ela não diz o que diz para agradar. Não, ela estava decidida.  - Noemi diz: "Rute, vai embora!" - Rute responde: "Não, Noemi. Deus ama você. Eu te amo, vou contigo! Estou decidida, taxativa e determinada. Deus sabe que a única coisa que me afastará de ti será a morte!"

Esse amor leal contém o poder mais constrangedor do mundo, pois aquele que ama não necessita de ordem para a ação. O amor quando é leal nos impele a agir. Quantos hoje ainda caem na tentação do determine... – DETERMINO ser melhor funcionário; marido; esposa; filho; contribuinte; pastor. Ao invés disso, seria muito melhor determinar amar mais, orar mais, sacrificar-se mais, ser mais e mais leal.

Transição: Preparando-se para a Ceia A moabita na genealogia do redentor. Não pertencia a linhagem de Israel, mas a sua decisão a levou a fazer parte da genealogia do redentor, Jesus. O Deus- Homem que nasceu tem seu sangue nas veias. Como o filho se parece com ela! Quatro mulheres na genealogia de Mateus 1 Tamar teve relação com seu sogro (Mt 1:3; cf. Gn 38) Raabe foi uma meretriz (Mt 1:5; cf. Js 2:1) Rute, a moabita (Mt 1:5; cf. Rt 3:6-18) Batseba, a esposa de Urias, com quem Davi adulterou (Mt 1:6; cf. 2Sm 2:2-5) O pecador tem perdão. Mt 21:31-32 Jesus diz que as prostitutas e os publicanos entrarão no Reino dos céus antes dos religiosos.  Rute: o amor dela nos constrange. "...o amor de Cristo nos constrange (2 Co 5:14)

O que tínhamos quando Cristo decidiu nos amar? Nada. Como Noemi, absolutamente nada! Temos, sim, o pecado e suas consequências que nos separam de Deus. Mesmo assim, Cristo, com amor eterno nos amou e com bondade nos atraiu (cf. Jr 31:3), e decidiu pagar o preço dos nossos pecados morrendo na cruz em nosso lugar.  Rute podia ter decidido ficar na sua terra, casar-se de novo e ter filhos. Mas ela decidiu por Noemi. Jesus podia ter ficado junto ao Pai, mas esvaziou-se de si mesmo por amor, sacrificando-se, na cruz, em nosso lugar.

     Para Refletir e Decidir (apenas os tópicos irão para o slide)

1. Eu já fiz uma decisão no passado e não foi boa. 

Parece-nos que Elimeleque também fez uma decisão dessas, mas a bondosa mão de Deus estava com ele e sua família. Felizmente, a providência de Deus cobre até os nossos erros!

 2. Eu tenho medo de decidir amar como Rute

Orfa também tinha, por isso ela voltou à velha vida de Moabe – ela não conseguia se desapegar de Moabe. 1Jo 4:7-8 diz que o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nós precisamos compreender o amor de Deus para podermos amar verdadeiramente.

3. Eu preciso decidir seriamente hoje

De fato, vivemos tempos de decisão. Decisão não apenas quanto ao futuro do nosso país, mas quanto a vida profissional, sentimental, casamento, igreja, enfim. Mas não se esqueça: a maior e mais importante decisão é aquela que nos faz render aos pés da cruz. É o momento que reconhecemos quem realmente somos, como decidimos mal... e o quanto precisamos de Jesus. E ele, Jesus, tem todo o poder para transformar a nossa vida.  Que seja hoje o dia oportuno para tomarmos uma decisão.


Áudiohttp://www.mixcloud.com/1ipisjp/serm%C3%A3o-de-021114/


Um comentário:

Ricardo Alexandre Tribioli Tribioli disse...

Excelente explanação da Palavra de Deus, também concordo que a Palavra é de Deus, muitos acusam os próprios irmãos Pastores de terem copiado o sermão e pregado uma mensagem de um ou de outro. A mensagem é da Palavra de Deus, e o Espírito concedeu sabedoria para o propósito de Deus. Quem dera todos pudessem pregar como o Apóstolo Paulo, ou como a Bíblia diz quem dera todos tivessem o Espírito de Moisés, podemos elaborar um estudo particular com profunda reflexão,mas como eu gostaria de ver alguém pregando um sermão que elaborei. O objetivo é de Deus, não sei o que ele está fazendo ou fará, mas somos um com Jesus, com o Pai, pelo Espírito Santo. Todo sermão então é plágio dos profetas, dos apóstolos, discípulos e do Próprio Deus. Uma contenda assim é secular e de nada aproveita. Mas os nascidos de Deus ficam alegres com a Palavra de Deus e seus sermões serem constantemente pregados.